Agora, no início de 2026, o Brasil vive uma mudança histórica na composição de seus combustíveis. A gasolina comum passou a conter 30% de etanol anidro (mistura conhecida como E30) e o diesel fóssil agora leva 15% de biodiesel (B15). Essas novas proporções, vigentes nacionalmente desde 1º de agosto de 2025, colocam o país na vanguarda mundial dos biocombustíveis, hoje o Brasil é a única nação a adotar 30% de etanol na gasolina em escala nacional. A iniciativa integra a estratégia brasileira de transição energética, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis e aproveitando o potencial agro energético nacional.
A medida foi aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) em junho de 2025 e está amparada pela Lei do Combustível do Futuro (Lei 14.993/2024). O aumento dos teores de etanol e biodiesel foi planejado de forma gradual e participativa. Testes rigorosos, conduzidos pelo Instituto Mauá de Tecnologia com participação de montadoras e especialistas, comprovaram a viabilidade técnica do E30 sem impactos negativos para motores ou desempenho dos veículos em circulação.
Para o setor sucroenergético (cana-de-açúcar e etanol), a adoção do E30 traz aumento de demanda e oportunidades de expansão. Dados do Ministério de Minas e Energia indicam que elevar de 27% para 30% o etanol anidro na gasolina adiciona cerca de 1,5 bilhão de litros por ano à demanda do biocombustível. Com o E30, o país recupera a autossuficiência em gasolina após 15 anos reduzindo importações e até criando excedentes exportáveis e essa mudança deve mobilizar mais de R$ 10 bilhões em investimentos e gerar cerca de 50 mil empregos na cadeia do etanol.
No caso do biodiesel, a elevação para B15 movimenta a agroindústria nacional. A maior mistura contribui para descarbonizar o transporte de carga e diminuir a necessidade de importação de diesel, além de atrair aproximadamente R$ 5 bilhões em novos investimentos e gerar cerca de 4 mil empregos em usinas de biodiesel e esmagadoras de grãos. O impacto também é social: o governo projeta um incremento de R$ 600 milhões na renda de agricultores familiares, com a inclusão de cerca de 5 mil novas famílias no programa Selo Biocombustível Social ligado à produção de oleaginosas. Em paralelo, ao aproveitar óleos vegetais (como soja) e sebo bovino na matriz energética, o B15 reforça a integração entre produção de biocombustíveis e cadeia alimentar já que a expansão do esmagamento de soja para biodiesel também gera farelo para ração animal, contribuindo para a segurança alimentar.
Benefícios para consumidores e meio ambiente
Para os consumidores, a mistura mais verde também se reflete no bolso: estima-se que o aumento do etanol na gasolina resulte em combustível até R$ 0,20 por litro mais barato nas bombas. Do ponto de vista ambiental, os ganhos são significativos. A substituição parcial de fósseis por biocombustíveis deve evitar a emissão de cerca de 3 milhões de toneladas de CO₂ por ano na atmosfera, contribuindo para mitigar o aquecimento global. Além disso, o uso ampliado de etanol e biodiesel tende a reduzir outros poluentes locais como material particulado e compostos sulfurados, melhorando a qualidade do ar urbano. Assim, E30 e B15 atuam como ferramentas duplas de benefício: alívio no custo dos combustíveis para a população e redução dos impactos ambientais do transporte, alinhando-se às metas climáticas do Brasil.
Próximos passos: rumo ao E35
O sucesso do E30 e do B15 abre caminho para ambições ainda maiores na matriz de combustíveis. A Lei do Combustível do Futuro já autoriza, mediante comprovação técnica, a possibilidade de elevar o biodiesel no diesel para até 20%–25% e o etanol na gasolina para até 35% (E35) nos próximos anosgov.br. Em outubro de 2025, o governo criou um subcomitê técnico permanente justamente para avaliar a viabilidade dessas misturas de alto teor, reunindo montadoras, órgãos públicos, distribuidoras, pesquisadores e usuários. Esse grupo coordena testes em motores e veículos, garantindo que qualquer aumento futuro de percentual seja amparado por estudos aprofundados de performance, compatibilidade mecânica e benefícios ambientaisgov.br. Com essa abordagem cautelosa e participativa, o país já mira a introdução do E35 de forma segura e gradual. Caso as avaliações comprovem sua viabilidade, o Brasil poderá implementar o E35 e novas altas misturas mantendo sua posição de liderança global em biocombustíveis e aprofundando a descarbonização do transporte.

