Comissão da Câmara faz turnê sobre fim da 6×1 e tenta ganhar visibilidade em ano eleitoral

06/05/2026

Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Fonte: Folha de S.Paulo

  • Primeira audiência será na Paraíba, estado do presidente da Câmara, Hugo Motta
  • Expectativa do relator é votar texto final até o dia 26 de maio

A comissão especial que discute o fim da escala de trabalho 6×1 definiu nesta terça-feira (5) um calendário que inclui uma pequena turnê nacional para tratar do assunto em audiências em pelo menos três estados e a votação final do relatório no colegiado em 26 de maio.

ano eleitoral coloca uma pressão extra sobre os deputados na discussão da redução da jornada. Vitrine eleitoral importante do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o pleito deste ano, o fim da 6×1 tem reunido apoio popular, reduzindo o espaço da oposição apesar da mobilização de entidades empresariais contrárias à mudança.

As audiências fora de Brasília atendem, segundo o relator Leo Prates (Republicanos-BA), uma iniciativa lançada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), em 2025 para aproximar o parlamento da população nos estados. A primeira das audiências fora de Brasília (DF) será na Paraíba, estado natal de Motta.

O plano de trabalho apresentado por Prates nesta terça prevê seminários em Belo Horizonte e em São Paulo, nos dias 14 e 21 de maio, respectivamente. A comissão especial deve definir nesta semana se outros estados terão audiências sobre o assunto –há pedidos para encontros no Paraná, Bahia, Rio Grande do Sul e Maranhão.

A turnê dará também aos parlamentares uma bandeira de apoio popular a poucos meses do pleito e, no caso dos que se mantêm contrários à mudança, uma demonstração de que os riscos da mudança foram colocados em debate.

Deputados avaliam que o tema está sob efeito similar ao da isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000, aprovado no ano passado no Congresso, quando o apoio popular deixou inviável que alguém se posicionasse contra.

Na 6×1, pesquisa Datafolha mostra que 71% dos brasileiros apoiam a mudança. Uma das estratégias da oposição ao governo no Congresso nos últimos meses era a de cobrar das entidades uma espécie de blindagem aos parlamentares.

Nesta semana, uma comitiva de entidades e lideranças ligadas ao comércio e aos serviços de São Paulo deu início a uma série de reuniões em Brasília para tentar barrar o avanço do fim da escala 6×1. A FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo) encabeça a caravana, que inclui participação em audiências, encontros em ministérios e almoços com frentes parlamentares.E

A prioridade das entidades é impedir a mudança. Para muitos, no entanto, a redução de 44 horas para 40 horas semanais será inevitável diante do apoio do presidente da Câmara à pauta. Em outra frente, as entidades querem garantir que a definição das escalas de horários seja mantida nas negociações coletivas.

Na terça, Prates e o presidente da comissão especial, Alencar Santana (PT-SP), estiveram com líderes das centrais sindicais, que manifestaram apoio à redução da carga semanal para 40 horas.

No calendário apresentado por Prates, as centrais serão ouvidas em audiência no dia 19. Na véspera, a comissão especial deve ouvir a perspectiva dos empregadores.

Também estão agendadas audiências com os ministros Luiz Marinho (Trabalho e Emprego), na quarta (6), Dario Durigan (Fazenda), no dia 12. Uma primeira versão do relatório deverá ser apresentada no dia 20. Na semana seguinte, no dia 26, a comissão votará o relatório final. Depois, o texto vai ao plenário da Câmara.

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