FOTO: Vice Presidente Geraldo Alckmin (PSB) durante abertura do 4º Congresso Abramilho, em 13 de maio de 2026 (Foto Cadu Gomes/VPR)
Alckmin afirma que testes já permitem avançar para 32% de etanol na gasolina e diz que E32 está encaminhado
Nayara Machado
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), defendeu nesta quarta (13/5) o aumento na mistura de etanol na gasolina, afirmando que os testes já permitem avançar dos atuais 30% para 32%.
“O etanol anidro era 27% na gasolina, passamos para 30%. Os testes autorizam passar para 32%”, disse durante abertura do 4º Congresso Abramilho, em Brasília.
“Hoje, o etanol anidro está bem mais barato do que aa gasolina, então tem o ganho econômico, [pois] barateia o preço da gasolina, tem o ganho ambiental e tem o ganho socioeconômico, porque gera emprego no Brasil. Então, está tudo encaminhado para a gente passar de 30% para 32% o etanol na gasolina”, completou.
O aumento da mistura estava na pauta da reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) marcada para 7 de maio e depois cancelada.
Anunciada pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD/MG), no final de abril, a proposta é de aumento temporário para o E32.
O CNPE foi desmarcado após o presidente Lula (PT) prometer que, além do E32, também estaria em discussão a elevação da mistura de biodiesel no diesel para 16% (B16) — este último, no entanto, nunca entrou oficialmente na pauta.
Antes de ser cancelada, a reunião chegou a ser adiada para segunda-feira (11/5), mas o novo cronograma não se confirmou.
Defendida sobretudo pelo agronegócio, a discussão sobre a ampliação das misturas ganhou fôlego com a alta global dos preços do petróleo devido à guerra no Oriente Médio.
E32 emergencial
O aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32% precisa ser aprovado pelo CNPE.
Segundo o MME, a medida será “temporária” e em “caráter emergencial”, mas com prazo de até um ano.
“Com caráter excepcional e temporário, a iniciativa deverá ter vigência inicial de 180 dias, prorrogáveis por igual período, conforme deliberação do CNPE”, disse a pasta em nota publicada em abril. Esse prazo poderá ser prorrogado por igual período.
A proposta do governo será justificada pela guerra no Irã e a consequente alta dos preços do barril de petróleo.
Cada ponto percentual a mais de etanol anidro significa menor consumo da gasolina A, levando a uma redução de importações ou a até mesmo o fim da dependência externa do combustível.
A mistura do etanol está em 30% (E30), o que foi possível com a sanção da Lei do Combustível Futuro, em 2024, e que passou a prever o percentual de 35% como novo teto da mistura obrigatória de etanol e de 25% para o biodiesel.
Para chegar aos 30%, contudo, o governo federal organizou uma bateria de testes realizados ao longo de 2025 para demonstrar a viabilidade do aumento, o que não será feito desta vez. A mistura atual entrou em vigor em agosto de 2025.
Ainda de acordo com o MME, o aumento está baseado nos testes do E30. “A proposta se apoia em testes já realizados no país, que comprovaram a viabilidade técnica da mistura durante os estudos conduzidos para o E30 em 2025, garantindo segurança para sua implementação”.
Fonte: Agência Eixos
