Veículos trafegam em baixa velocidade na avenida 23 de Maio, nas proximidades do parque do Ibirapuera (zona sul de São Paulo) – Eduardo Knapp – 12.mar.26/Folhapress
- Resultado surpreende em meio ao aumento nas vendas de híbridos e elétricos
- Preço do combustível nos postos estimula compra de modelos a bateria, diz estudo
Os números de venda mostram que o interesse do brasileiro por carros eletrificados segue crescendo, mas os modelos puramente a combustão ainda são os preferidos. A conclusão vem do Índice de Mobilidade do Consumidor, pesquisa conduzida pela EY, empresa global de auditoria e consultoria.
Entre os mil entrevistados no país em 2025, 49% disseram preferir os automóveis alimentados apenas por gasolina, etanol ou diesel. Outros 26% demonstraram interesse em adquirir um veículo com alguma tecnologia híbrida, enquanto 9% optariam pelas opções 100% elétricas.
Em 2023, 35% dos consumidores consultados afirmaram que escolheriam um carro a combustão, enquanto 48% ficariam com um híbrido. Já as respostas que indicaram a preferência por um modelo a bateria não tiveram oscilação no período.
A mudança registrada no intervalo de dois anos, porém, não é traduzida nos dados de mercado. Segundo a ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), foram vendidos 223,9 mil veículos eletrificados no país em 2025. Em comparação a 2023, houve um crescimento de 138%. Entretanto, há motivos para esse resultado.
Um deles é o próprio avanço do segmento, que escancara as limitações atuais. Segundo a EY, a escassez de infraestrutura de recarga, que prejudica o uso dos modelos elétricos e híbridos do tipo plug-in, é apontada como a maior barreira.
“Entre os consumidores que não pretendem adquirir um veículo elétrico, 36% apontam a falta de estrutura em casa ou no trabalho, 33% mencionam a ausência de estações públicas, 28% destacam preocupações com substituição de bateria e outros 28% sobre o custo de compra inicial”, diz o material divulgado pela consultoria.
Já entre os que planejam adquirir um modelo 100% elétrico, a preocupação com o custo de abastecimento aparece como maior motivador da compra.
“O aumento do custo dos combustíveis convencionais lidera como principal fator, citado por 38% dos entrevistados, seguido pelas preocupações ambientais, também com 38%”, afirma, em nota, Marcelo Frateschi, sócio-líder para o setor automotivo da EY no Brasil.
O avanço atual dos carros chineses foi detectado pelo estudo. Em 2023, 16% dos ouvidos demonstraram interesse por veículos de marcas com origem na China, como BYD, GWM e Chery (que é associada ao grupo Caoa no Brasil). No ano passado, a preferência chegou a 24%.
As marcas europeias também avançaram, passando de 51% para 76% da preferência. Já as japonesas e sul-coreanas caíram de 68% para 59% entre 2023 e 2025, e as americanas, passaram de 76% para 62% no mesmo período. Os entrevistados puderam citar mais de um país ou região em suas respostas.
