O aumento nos preços da gasolina eleva a competitividade do etanol e transforma o biocombustível em uma opção mais vantajosa para os motoristas no mercado nacional. Atualmente, o valor do litro do etanol comercializado diretamente nas usinas produtoras custa a metade do preço registrado para a gasolina importada. A dinâmica de preços favorece o abastecimento com o derivado da cana-de-açúcar, impulsionada por uma perspectiva de ampla oferta no setor sucroenergético.
A vantagem financeira do etanol é calculada a partir do rendimento energético do combustível no motor. Tradicionalmente, o biocombustível é considerado vantajoso quando o seu preço de bomba representa até 70% do valor cobrado pela gasolina.
Para realizar o cálculo, o consumidor deve dividir o preço do litro do etanol pelo da gasolina; caso o resultado final seja inferior a 0,7, a escolha pelo etanol é a mais econômica. Em veículos equipados com motores mais modernos, essa margem de eficiência e rendimento atinge até 75% da capacidade da gasolina.
São Paulo lidera estados com maior vantagem no abastecimento
De acordo com o levantamento semanal de preços realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o etanol apresenta vantagem média para o consumidor em seis estados brasileiros. Entre as unidades da federação analisadas, o estado de São Paulo registra a paridade mais baixa do país, consolidando-se como a região mais favorável para a escolha do combustível vegetal nas bombas.
O cenário de abastecimento ganha o reforço das projeções para o campo. O setor canavieiro projeta uma safra recorde de cana-de-açúcar para o ciclo atual. A colheita histórica deve resultar em um acréscimo de 15% na produção nacional de etanol, o que representa um volume adicional de aproximadamente 5 bilhões de litros do biocombustível inseridos no mercado brasileiro.
Apesar da forte queda de braço nos preços de origem, o repasse ao consumidor final ocorre de forma gradual. Desde o início do ano, o valor pago diretamente ao produtor pelo litro do etanol acumula uma queda de cerca de 22% nas usinas.
No entanto, essa redução expressiva ainda não foi totalmente transferida para os postos de combustíveis, uma vez que a margem ficou retida nas etapas intermediárias de distribuição e de revenda. A expectativa do setor é que o repasse integral dessa retração de preços chegue de forma mais intensa às bombas de combustíveis no decorrer das próximas semanas.
