Raízen avança em plano de reestruturação, mas incertezas sobre recuperação da dívida persistem

19/10/2026

A recuperação extrajudicial da Raízen (RAIZ4) deu mais um passo importante. A companhia agora avança para a etapa de implementação da reestruturação, com a aprovação das medidas necessárias à execução.

A assembleia geral extraordinária (AGE) que deliberará sobre as mudanças para capitalização, conversão de dívida e reorganização dos negócios foi marcada para 30 de outubro.

Para os analistas do BB Investimentos, este avanço reduz parte das incertezas sobre a execução do plano, o que é positivo para os ativos da empresa. Entretanto, não resolve uma das principais dúvidas dos credores: quanto efetivamente será recuperado ao final do processo.

Em relatório divulgado nesta semana, os analistas do banco avaliam que a companhia está criando as condições necessárias para converter dívidas em ações, receber novos aportes de capital e concluir a separação dos negócios prevista na reestruturação.

“Para os bondholders, o avanço é construtivo, já que viabiliza a conversão de créditos, a nova governança e a separação dos negócios. No entanto, o valor final de recuperação segue dependente da capitalização, da alocação de dívida entre os grupos e do desempenho dos ativos após a segregação”, afirmam os analistas do banco.

O que avançou na reestruturação da Raízen

O principal marco desta nova etapa será a assembleia marcada para 30 de outubro, quando os acionistas deverão votar as alterações necessárias para colocar o plano em prática. Entre elas estão:

  • o aumento do limite de capital autorizado da companhia,
  • a criação de uma nova classe de ações preferenciais, e
  • a criação de units que serão utilizadas na estrutura prevista para a conversão de dívidas em participação societária.

Além disso, o relatório destaca ainda a reformulação da governança da companhia, com a substituição do atual conselho de administração por um novo colegiado alinhado à execução do plano.

Na avaliação do BB, a mudança pode aumentar a proteção dos credores que se tornarão acionistas após a conversão de seus créditos.

Outro avanço relevante é o processo de segregação dos negócios da companhia.

A proposta prevê uma redução de capital de até R$ 35 bilhões mediante a entrega aos acionistas de valores mobiliários da Raízen Energia (RESA). Essa etapa é essencial para a separação das atividades de distribuição (Raízen Combustíveis) dos negócios de produção de energia e açúcar.

Neste ponto, para os investidores em ações, o relatório afirma que as propostas confirmam a forte diluição e a perda de influência dos atuais acionistas.

No entanto, “definem um caminho para o reequilíbrio financeiro e para a avaliação separada dos negócios de distribuição e de energia”.

A conclusão é que se trata da materialização de um cenário adverso, “mas cujos avanços parecem ser menos negativos do que os de uma recuperação judicial”, dizem os analistas do BB Investimentos.

Afinal, o crédito melhorou?

Embora o BB considere o avanço positivo para a execução do plano, o documento não sugere uma melhora substancial da qualidade de crédito da Raízen. Pelo contrário, os analistas destacam que os ratings continuam em níveis extremamente deteriorados.

A Fitch mantém rating C (bra), uma das notas mais baixas da escala, enquanto a Moody’s Local classifica a companhia como CC.br, nível que indica elevada vulnerabilidade ao não pagamento.

Já a S&P Global atribui nota SD, ou default seletivo, utilizada quando uma empresa renegocia ou deixa de cumprir parte de suas obrigações financeiras.

Essas classificações indicam que a companhia continua sendo vista pelo mercado como um emissor em situação financeira bastante fragilizada, apesar dos avanços no processo de reestruturação.

Em seu relatório, o BB destaca uma redução de incertezas em relação à implementação do plano de recuperação extrajudicial, mas não vê melhora substancial na saúde financeira da empresa.

O diagnóstico dos analistas é que a situação continua difícil, mas pode terminar sendo menos danosa do que seria em um processo tradicional de recuperação judicial, que costuma ser mais longo, mais litigioso e frequentemente resulta em perdas maiores para investidores.

O Clipping Minaspetro reproduz fielmente o que está na imprensa.

Os textos não refletem, necessariamente, a opinião institucional do Sindicato.

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