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Importação brasileira de diesel despenca após criação de subsídio

10/08/2018

Fonte: Valor Econômico

Após a intervenção do governo no preço do diesel para acabar com a greve dos caminhoneiros no fim de maio, a importação do produto iniciou um movimento de queda que continua sendo registrado nos dados da balança comercial. Nos meses de junho e julho, a queda em valores foi de 23,9% e 14,2%, respectivamente, na comparação com o mesmo período do ano passado. Os dados foram compilados pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic) a pedido do Valor.

O movimento de queda na compra de diesel importado foi iniciado em junho, logo após a criação dos subsídios ao produto, e interrompeu a série de crescimento que vinha sendo registrada desde o começo do ano. Na comparação com um ano antes, a compra do combustível subiu 141% em janeiro, registrou estabilidade em fevereiro, avançou 48,7% em março, 67,9% em abril e 16,7% em maio.

Considerando o volume importado, a compra de diesel estrangeiro começou a registrar uma leve retração (de 8,5% contra um ano antes) já em maio, justificada pela paralisação dos transportes no fim do mês, segundo expecialistas.

O presidente-executivo da Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araújo, afirma que a decisão do governo de trabalhar com um preço inferior ao praticado no mercado internacional inviabiliza as importações. Ele diz que, mesmo havendo subsídio do governo também na compra do diesel estrangeiro, a operação deixa de ser interessante, pois não compensa o custo. “O volume importado por independentes caiu muito. Os independentes interromperam suas operações porque o preço no mercado interno está inferior ao externo”, disse Araújo.

Para agravar a situação, Araújo afirmou que o governo está repassando com atraso o pagamento do subsídio do diesel, o que ainda levanta dúvidas sobre esse programa — que destinou R$ 9,5 bilhões para a redução de R$ 0,30 no preço do litro do diesel. Segundo Araújo, o atraso de pagamento chega a R$ 80 milhões no caso das empresas ligadas à entidade.

Procurada, a Agência Nacional de Petróleo (ANP) informou que os procedimentos para os pagamentos estão sendo atualizados e que esses serão regularizados em breve. A agência deu a resposta sem se comprometer com uma data para o pagamento, no entanto.

Na avaliação de técnicos do governo, a queda nas importações do diesel é pontual e deve ser revertida no decorrer do ano. Segundo a coordenadora de Pesquisas da FGV Energia, Fernanda Delgado, a greve dos caminhoneiros provocou uma queda no consumo e, com isso, um ajuste na importação.

“A intervenção do governo não é saudável. Para jogar os preços para baixo, é preciso ter concorrência, estimular a entrada de players privados. Mas, para isso, é necessária paridade dos preços com o mercado internacional”, contou. Fernanda disse ainda que as regras para recebimento dos subsídios concedidos pelo governo para segurar o preço do diesel na bomba não são claras.

A balança comercial de petróleo e derivados registrou no acumulado de janeiro a julho um saldo de US$ 5,701 bilhões, um crescimento de 50% em relação a igual período do ano passado. O número é resultado de exportações de US$ 17,255 bilhões (crescimento de 26,4% no ano, pela média diária) e importações de US$ 11,554 bilhões (avanço de 17,5%).